Juros do rotativo atingem níveis alarmantes
Os juros cobrados pelo rotativo do cartão de crédito atingiram uma média alarmante de 438% em dezembro de 2025. Esse aumento representa um impacto significativo na capacidade de pagamento dos consumidores, já que muitos ficam presos em um ciclo de endividamento devido a essas taxas exorbitantes. Em comparação, a média histórica de juros para essa modalidade de crédito era de cerca de 40,3%, evidenciando uma deterioração preocupante na saúde financeira das famílias brasileiras.
O paradoxo do emprego e da inadimplência
Embora o Brasil tenha apresentado uma taxa de desemprego de 5,6%, a inadimplência no cartão de crédito alcançou 64,7% em dezembro, um aumento notável em relação aos 55% registrados em janeiro do mesmo ano. Isso levanta a questão: como é possível que a geração de empregos e o aumento da renda média coexistan com níveis tão altos de inadimplência? Especialistas apontam que o acesso facilitado ao crédito, combinado com custos de vida em ascensão, pode ser um fator determinante neste cenário paradoxal.
Custo de vida influencia endividamento
A crescente inflação e a alta nos preços de bens essenciais como alimentos, saúde e educação têm contribuído para o aumento da dívida entre as famílias. À medida que os custos se elevam, muitos consumidores se veem na necessidade de utilizar o crédito rotativo como uma forma de cobrir despesas imprevistas, levando a um ciclo vicioso de endividamento.

Aumento da renda e limites de crédito
Com a elevação da renda média real, que atingiu R$ 3.560, as instituições financeiras começaram a oferecer limites de crédito maiores aos consumidores. Isso contribuiu para que muitos tratassem o cartão de crédito como uma extensão de sua renda mensal. No entanto, essa prática pode ser arriscada, pois os juros sobre os saldos devedores acabam superando os ganhos reais, levando a um aumento na inadimplência.
Incertezas na economia brasileira
A metodologia utilizada pelo IBGE para contabilizar postos de trabalho pode não refletir com precisão a real situação financeira da população. De acordo com estudos, muitas pessoas consideradas “empregadas” recebem rendimentos irregulares ou dependem de programas sociais. Essa instabilidade pode forçar essas famílias a utilizar o crédito rotativo, aprofundando ainda mais a crise de inadimplência.
Impacto da inflação sobre as finanças
A inflação persistente, que terminou 2025 em 4,26%, tem um efeito direto sobre o orçamento das famílias. Enquanto a renda média pode estar aumentando, os custos elevados de vida podem neutralizar esses ganhos, resultando em um orçamento apertado que leva ao uso excessivo do cartão de crédito e a uma crescente inadimplência.
Estratégias para evitar a inadimplência
Para mitigar o risco de inadimplência, é crucial que as famílias implementem estratégias financeiras eficazes. Algumas ações recomendadas incluem:
- Renegociação de dívidas: Buscar alternativas com instituições financeiras para reestruturar a dívida e obter melhores condições de pagamento.
- Educação financeira: Investir na compreensão de conceitos financeiros essenciais pode ajudar na administração do crédito e na tomada de decisões mais informadas.
- Reserva de emergência: Criar um fundo emergencial pode oferecer segurança financeira em situações inesperadas, evitando o uso excessivo do cartão de crédito.
- Planejamento orçamentário: Elaborar um orçamento familiar pode auxiliar no monitoramento das despesas e evitar que as famílias se tornem reféns do crédito rotativo.
Projeções para a inadimplência em 2026
As expectativas para 2026 incluem um potencial desaquecimento econômico, com projeções indicando um crescimento do PIB de 1,8%. Apesar de um cenário que sugere estabilidade, especialistas acreditam que a inadimplência pode não aumentar significativamente se as famílias lograrem equilibrar seus orçamentos e suas rendas aumentarem real e continuamente.
A importância da educação financeira
Promover a educação financeira é fundamental para capacitar os consumidores a tomarem decisões melhores em relação ao uso do crédito. Isso pode incluir o entendimento de taxas de juros, a diferença entre crédito rotativo e parcelado e as consequências de um agendamento financeiro inadequado.
Alternativas ao cartão de crédito
Para aqueles que desejam evitar as armadilhas do crédito rotativo, considerar alternativas como:
- Crédito consignado: Geralmente apresenta taxas mais baixas e um plano de pagamentos mais previsível.
- Empréstimos pessoais: Optar por empréstimos de instituições que ofertam condições mais vantajosas.
- Parcelamento da fatura: Em vez de entrar no crédito rotativo, optar por uma solução de parcelamento pode resultar em taxas menores e maior controle financeiro.

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