Jornada de trabalho, Código Civil e mais: as prioridades legislativas para a CNI

O que há na Agenda Legislativa da CNI

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) está atenta a mais de 135 proposições legislativas que atualmente tramitam no Congresso Nacional. Dentre essas, a entidade nacional defende a aprovação de 81 propostas, representando 60% do total, enquanto se opõe a 54 dos projetos, equivalendo a 40% do conjunto. Essa análise é parte da 31ª edição da Agenda Legislativa da Indústria, apresentada em um evento realizado no Plenário da Câmara dos Deputados. O documento é uma coletânea das propostas que estão sendo monitoradas pelo setor industrial, com foco na legislação que abrange temas trabalhistas, tributários, comércio exterior, infraestrutura e inovação.

A Proposição da Redução da Jornada de Trabalho

Entre os projetos que merecem destaque, a PEC da Redução da Jornada de Trabalho é uma das mais controversas. A CNI observa que a prática de redução da carga horária é permitida pela Constituição Federal, desde que exista acordo ou convenção coletiva. Entretanto, a CNI critica a imposição legal, como sugerido no PL 67/2025, argumentando que essa prática é questionável em termos de constitucionalidade e pode desestimular a negociação coletiva. A entidade enfatiza que essa negociação leva em consideração as necessidades tanto dos trabalhadores quanto das empresas.

Impactos do Novo Código Civil

Outro tema que gera preocupação é a proposta de reforma do Código Civil, que abrange mais de 900 artigos. A CNI expressa a necessidade de cautela, pois as mudanças sugeridas podem impactar a responsabilidade civil e as relações contratuais. A proposta sugere uma alteração significativa no Título de Responsabilidade Civil, que poderia resultar em indenizações excessivas e incertezas que contrariam o princípio da proporcionalidade, criando um cenário de insegurança jurídica.

prioridades legislativas da CNI

Como a CNI Está Monitorando as Proposições

O monitoramento das proposições é uma parte crítica da atuação da CNI, que busca atuar de forma proativa no processo legislativo. Essa atenção permite que a CNI intervenha em discussões importantes e promova a defesa dos interesses da indústria brasileira. O acompanhamento das pautas legislativas não é apenas um reflexo do interesse da Confederação sobre a política, mas também uma estratégia de alinhamento com as necessidades do setor industrial no país.

Os Temas Prioritários para o Setor Industrial

Na lista dos 15 projetos prioritários, a CNI classifica as seguintes propostas como centrais:

  • PEC 8/2025: Redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias e 36 horas semanais em 4 dias – Posição: Divergente.
  • PL 4007/2025: Incentivos à empregabilidade pelo Programa Bolsa Família – Posição: Convergente.
  • PL 2015/2019: Desobrigação de contribuição adicional para aposentadoria especial – Posição: Convergente com ressalva.
  • PDL 41/2026: Acordo Mercosul-União Europeia – Posição: Convergente.
  • PL 4423/2024: Normas gerais sobre Comércio Exterior – Posição: Convergente.
  • PL 4/2025: Reforma do Código Civil – Posição: Divergente.
  • PL 2373/2025: Lei Geral de Concessões – Posição: Convergente.
  • PL 10108/2018: Regulamentação do reuso de água – Posição: Convergente com ressalva.
  • PL 3375/2024: Ampliação das penas de crimes contra marcas – Posição: Convergente.
  • PL 4133/2023: Fórmula da política industrial, tecnológica e de comércio exterior – Posição: Convergente com ressalva.

Propostas que a CNI Apoia e Rejeita

A CNI mantém uma posição clara em relação às propostas que apoia e aquelas que rejeita. Isso se reflete na Pauta Mínima da Indústria, que traz à tona os temas que consideram essenciais para o desenvolvimento do setor. Na análise, alguns projetos são vistos como convergentes, enquanto outros geram divergência, especialmente no que tange a propostas consideradas inadequadas ou prejudiciais para o ambiente de negócios no Brasil.

A Importância do Comércio Exterior

O comércio exterior é um dos pilares fundamentais para o crescimento da indústria brasileira. A experiência mostra que as propostas que visam facilitar e regularizar as operações de comércio exterior são vistas de forma positiva pela CNI, que acredita que a integração comercial pode impulsionar a economia. A entidade advoga por normas que simplifiquem processos e que promovam acordos que favoreçam as exportações.

O Papel da Inovação na Indústria

Em um mundo em constante transformação tecnológica, a inovação é crucial para a competitividade do setor industrial. A CNI enfatiza a necessidade de políticas que estimulem investimentos em pesquisa e desenvolvimento, além de fomentar a adoção de novas tecnologias. A promoção da inovação é vista como um meio de garantir que a indústria se adapte e prospere em um cenário global cada vez mais desafiador.

Desafios para o Setor em 2026

Os desafios para o setor em 2026 são significativos e incluem a adaptação às novas realidades do mercado, que demanda mais flexibilidade e inovação. Além disso, a CNI destaca a importância de um ambiente regulatório que proporcione previsibilidade e segurança para os investimentos. A capacidade de atenuar os impactos econômicos de crises globais e o fortalecimento das cadeias produtivas são elementos-chave para o êxito no futuro próximo.

Perspectivas Futuras: O Que Esperar?

Olhando para o futuro, a CNI busca um diálogo constante com os agentes governamentais e com a sociedade civil para moldar as políticas que serão implementadas. É essencial que a indústria, a partir de seu papel central, colabore para a formação de um cenário favorável ao crescimento e à sustentabilidade. A expectativa é que, através de um esforço conjunto, seja possível enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades que se apresentam nos próximos anos. O foco nas melhorias regulatórias, na promoção do empreendedorismo e na implementação de tecnologias inovadoras será decisivo para garantir um desenvolvimento harmonioso do setor industrial brasileiro.