O que aconteceu com Lizzie Borden depois do julgamento?

A absolvição e a vida após o julgamento

Após sua absolvição em 1893, Lizzie Borden permaneceu um nome amplamente associado ao notório caso de duplo homicídio que a envolveu. Acusada de ter assassinado seu pai, Andrew Borden, e sua madrasta, Abby Borden, Lizzie saiu do tribunal como uma mulher livre, mas isso não significou o fim do escrutínio sobre sua vida. A notoriedade de seu caso se estendeu por décadas, afetando sua vida pessoal e social em Fall River, Massachusetts.

Lizzie e a compra de Maplecroft

Pouco tempo depois de ser declarada inocente, especificamente em setembro de 1893, Lizzie decidiu mudar de ares. Junto de sua irmã Emma, ela adquiriu uma nova residência chamada Maplecroft. Localizada em uma área tranquila conhecida como The Hill, a casa contava com 14 cômodos e representa um novo começo para as irmãs. Em sua nova morada, Lizzie começou a usar o nome Lizbeth, demonstrando um desejo por um recomeço e um afastamento da notoriedade que a cercava.

Enquanto estavam em Maplecroft, elas optaram por uma vida mais reclusa. Apesar disso, Lizzie não ficou totalmente isolada, realizando viagens ocasionais para cidades como Boston, Nova York e Washington. Foi também neste período que Lizzie desenvolveu uma amizade próxima com a atriz Nance O’Neil, uma conexão que trouxe uma nova dimensão à sua vida.

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Os desafios enfrentados por Lizzie Borden

A vida recente de Lizzie não foi isenta de controvérsias. Em fevereiro de 1897, ela enfrentou um novo desafio ao ser acusada de furto em uma loja, um episódio que despertou antiga discussão sobre sua moralidade e continuação na vida pública. No entanto, essa acusação não resultou em qualquer condenação; Lizzie foi considerada inocente mais uma vez. O incidente, apesar de sua resolução favorável, alimentou ainda mais a curiosidade sobre sua vida e seu caráter, mostrando que o passado estava longe de ser esquecido.

Emma e o rompimento com a irmã

A relação entre Lizzie e Emma, que parecia sólida inicialmente, começou a se deteriorar com o passar dos anos. Em junho de 1905, as irmãs se desentenderam, o que resultou na saída de Emma de Maplecroft. Esse rompimento marca um ponto crítico na vida de Lizzie, que, após a separação, viveu em relativa solidão, mantendo-se afastada de sua única irmã pelo restante de suas vidas.

Os estragos causados por um roubo

Os tempos difíceis não pararam por aí. A vida contínua de Lizzie foi marcada por essa quebra de laços familiares e pela busca incessante de um lugar na sociedade, mesmo quando constantemente relembrada de seu passado. O roubo em 1897, embora não tivesse feito grandes estragos jurídicos em sua vida, trouxe à tona mais uma vez a sombra dos eventos que marcaram seu legado.

O legado cultural de Lizzie Borden

A figura de Lizzie Borden transcendeu sua história pessoal; ela rapidamente se tornou um ícone na cultura popular. Sua infame absolvição e os mistérios que cercaram o caso alimentaram um interesse duradouro em sua narrativa. O público queria entender cada nuance de sua vida, o que a inspirou a criar histórias e lendas, levando sua trajetória a se tornar parte do folclore americano.

Adaptações da história para a mídia

A narrativa em torno de Lizzie foi adaptada inúmeras vezes para a tela e outros meios artísticos. Desde as décadas passadas, sua história ganhou vida em várias produções, incluindo o telefilme “The Legend of Lizzie Borden” de 1975, e mais recentemente, o filme “Lizzie Borden Took an Ax” de 2014, que trouxe Christina Ricci no papel da protagonista. Em 2018, sua história foi narrada novamente em “Lizzie”, onde Chloë Sevigny e Kristen Stewart exploraram sua vida sob uma nova perspectiva. Além disso, a série de televisão “The Lizzie Borden Chronicles” também capturou a atenção de muitos, reafirmando seu lugar no imaginário popular.

O impacto da série ‘Monstro’

A mais recente adaptação, intitulada “Monster: The Lizzie Borden Story”, fez sua estreia na Netflix em 17 de setembro. A série, que faz parte de uma antologia criada por Ryan Murphy e Ian Brennan, expande a narrativa de Lizzie e busca explorar as intricadas camadas de sua vida. Ella Beatty assume o papel de Lizzie nesta nova produção, que chamou a atenção do público por sua abordagem contemporânea, relembrando as alegações e mistérios que continuam a rondar a figura de Lizzie Borden.

Os últimos anos de Lizzie

A vida de Lizzie Borden culminou em 1º de junho de 1927, aos 66 anos. Sua morte foi atribuída a complicações de saúde, após uma cirurgia na vesícula biliar que resultou em pneumonia. A ironia de sua vida encerrando uma narrativa marcada por eventos tão dramáticos não passou despercebida. Nove dias após sua morte, Emma, sua única irmã, falecia também, vítima de uma doença renal crônica. As irmãs, que compartilharam uma vida de segredos e disputas, deixaram para trás um legado intrigante que permanece vivo até os dias de hoje.

O mistério que nunca se resolveu

Apesar de sua absolvição, a figura de Lizzie Borden nunca pode se desvincular dos assassinatos de Andrew e Abby Borden. O caso que fascinou a sociedade americana e se tornou uma parte indissolúvel da história criminal dos Estados Unidos permanece sem resolução definitiva, ecoando as perguntas e incertezas que cercavam os eventos trágicos de 1892. O legado de Lizzie, portanto, continua a gerar debates, histórias e adaptações, assegurando que sua vida e os eventos que a definiram sejam lembrados e discutidos por gerações.