Coreia do Sul vive último verão com venda legal de carne de cachorro

A Proibição da Carne de Cachorro

A Coreia do Sul está se preparando para um marco significativo em sua história cultural e alimentar com a iminente proibição da criação, abate e venda de cães para consumo humano, que entrará em vigor em 7 de fevereiro de 2027. Essa nova legislação representa o fim de uma prática que, embora tradicional, vem perdendo espaço na sociedade contemporânea. Esta mudança é reflexo de transformações nos valores da população, que, cada vez mais, adota a visão dos cães como animais de estimação, ao invés de fontes de alimento.

O Que É Bosintang?

O bosintang é uma sopa tradicional preparada com carne de cachorro, comumente consumida durante o boknal, um período que reúne os três dias mais quentes do verão sul-coreano. Historicamente, acreditava-se que o prato ajudava a recuperar as energias no calor intenso, sendo um alimento comum entre certas faixas da população. O último boknal ocorreu em 14 de agosto de 2026, marcando não só o fim de um costume alimentício, mas também um passo significante em direção ao bem-estar animal na região.

Mudanças na Indústria Alimentícia

Os efeitos da nova legislação já são visíveis. Restaurantes e mercados que antes eram conhecidos pela venda de carne de cachorro estão começando a diversificar seus cardápios. Em locais como o Mercado Moran, em Seongnam, vendedores começaram a oferecer alternativas à base de cabra e outras carnes.

carne de cachorro

Leis e Regulamentações

A legislação foi aprovada em 2024 e estabeleceu um cronograma para transição dos negócios que dependem da carne de cachorro. A partir de 7 de fevereiro de 2027, as atividades relacionadas a esses animais para consumo serão completamente proibidas. As penalidades para quem infringir a legislação são severas: o abate de cães pode resultar em até três anos de prisão ou multas que chegam a 30 milhões de wones, enquanto a criação e venda podem acarretar pena de até dois anos de prisão ou multas de até 20 milhões de wones.

A Sociedade Sul-Coreana e os Animais

A mudança na percepção social sobre os cães é um dos principais fatores que contribuíram para a diminuição do consumo de carne de cachorro na Coreia do Sul. Um estudo realizado em 2024 revelou que mais de 90% dos entrevistados não pretendiam consumir a carne, refletindo a crescente preocupação com bem-estar animal e a disposição da população em tratar os cães como membros da família.

A Evolução dos Hábitos Alimentares

Nos últimos anos, a tendência de diminuir o consumo de carne de cachorro tem se intensificado. Após décadas em que esse tipo de carne era considerada um prato comum, a mudança se consolidou à medida que mais lares passaram a adotar cães como animais de estimação. Essa evolução é evidenciada não apenas nas respostas das pesquisas, mas também no fechamento de numerosas fazendas que especulavam na produção de carne canina.

O Futuro do Consumo de Carne

Com a introdução da nova lei, espera-se que o verão de 2026 seja o último a ver a venda legal de carne de cachorro na Coreia do Sul. Os estabelecimentos que costumavam oferecer bosintang enfrentam a difícil tarefa de adaptarem seus negócios para sobreviver. Muitos já procuram alternativas sustentáveis e mais aceitas pelo público.

Alternativas à Carne de Cachorro

À medida que proibições como essa se tornam comuns, a indústria alimentícia deve se reinventar. Além de pratos alternativos feitos com cabra e outras carnes, a introdução de receitas vegetarianas e veganas pode preencher a lacuna deixada pela carne de cachorro. Essas alternativas não apenas atendem à nova demanda, mas também refletem uma mudança cultural mais ampla em relação à alimentação e aos direitos dos animais.

Impactos Econômicos da Proibição

A transição pode gerar impactos econômicos significativos. O fechamento de negócios tradicionais relacionados à carne de cachorro acarreta a necessidade de iniciativas governamentais que apoiem os trabalhadores e proprietários. Programas de requalificação e subsídios são essenciais para o sucesso dessa transformação econômica.

Testemunhos de Consumidores e Comerciantes

Os feedbacks dos consumidores e comerciantes têm sido diversos em relação à mudança. Enquanto muitos consumidores mais velhos ainda veem valor no bosintang, a nova geração tende a favorar escolhas alimentares éticas e sustentáveis. Comerciantes estão se adaptando, tentando entender a nova demanda e reconfigurando seus produtos para melhor atender os novos hábitos dos consumidores.